Corações e Mentes

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As artérias coronárias matam mais gente no mundo que qualquer outra doença, que guerras, acidentes ou mesmo a criminalidade. No Brasil morrem 17 pessoas do coração a cada 30 minutos. Em muitos paises já ganhou status de preocupação não só de qualidade de vida, mas de mortalidade e mesmo do ponto de vista econômico.E com esta doença que se gasta mais dinheiro publico e mesmo privado.

Seu tratamento avançou muito mas a cura continua um sonho ainda não alcançado.

Nos anos 70 aquele que tinha mesmo uma obstrução arterial de no mínimo 70%, era enviado para a cirurgia e a colocação de pontes de safena era sem duvida a indicação mais frequente .

Veio então o conceito de que nem todos necessitavam abrir o peito, mas somente aqueles com maior numero de artérias obstruídas, com estreitamentos no inicio das artérias mais importantes, mas o que fazer com as outras ?

O suíço Andréas Gruentizig respondeu esta pergunta quando trouxe uma nova solução a angioplastia, desobstruir uma artéria através de cateterismo cardíaco sem abrir o tórax do paciente, com um balão insulflavel na ponta de um cateter. No começo para uma única artéria, mais tarde ampliada para mais artérias e ate mesmo para a fase aguda do infarto do miocárdio.

Mas a angioplastia cada vez mais usada, começou a tratar também artérias mais finais, mais distais e em posições às vezes menos favoráveis. O problema passou a ser as re-obstruções, poderiam chegar em alguns casos a 60% em 6 meses.

Havia a necessidade de diminuir estes índices, um dentista então inventou uma espécie de “mola”, para qual deu seu nome, estava disponível o STENT. Este pretendia resolver a questão das re-obstruções e rapidamente começou a ganhar espaço e ser utilizado no lugar da angioplastia. Mas ele não resolveu o problema por completo e vieram os chamados STENTS farmacológicos. Era a evolução da espécie, o mesmo dispositivo agora vinha embebido num quimioterapico para evitar que houvesse a necessidade de intervir numa obstrução do próprio STENT. Novamente o intento foi parcialmente conseguido, porem ao preço de mais formação de trombos sanguíneos ocasionados pelos próprios dispositivos, possível mesmo passado um ano de seu implante. Criou-se então a necessidade de prescrever uma associação de anti palquetarios, visando evitar a formação destes coágulos indesejáveis, por longos períodos de tempo.

Mas concomitante a toda esta evolução vários estudos publicados nos últimos 3 anos, mostraram que nem todos que tem artérias obstruídas, necessitam ou irão se beneficiar de qualquer destes tipos de tratamento.

O que se sabe hoje e que uma parcela importante de pacientes com doença coronariana se beneficia de forma pelo menos semelhante que qualquer destas modernidades invasivas e caras, com o uso adequado de medicamentos modernos e de outros nem tanto como a aspirina.

Para pacientes sem sinais maiores de gravidade o tratamento medicamentoso e o suficiente, não necessitando submeter-se a qualquer outro tipo de procedimento.

E necessário lembrar dois aspectos importantes, primeiro a doença continua sem cura e o tratamento deve ser individualizado.A cirurgia, angioplastia e todos os tipos de STENT tem emprego garantido para alguns pacientes, como sem duvida a melhor opção de tratamento, mas não para todos.  

Mais ainda nenhuma tecnologia, por mais moderna que seja substitui um adequado habito de vida, sendo a única intervenção capaz de diminuir a mortalidade por esta patologia em níveis populacionais.

Mas existem mais coisas preocupantes acontecendo neste campo, não estão se formando novos cirurgiões cardíacos e dentro de pouco tempo haverá uma carência enorme destes profissionais.

Mas porque não formamos novos Zerbinis, Jatenes ou Jazbics ? Vários são os motivos, a queda no volume destas cirurgias, o tempo de formação de um profissional e longo, em torno de pelo menos 13 anos e os médicos jovens preferem especialidades que demandem menos tempo de formação, com retorno do investimento mais rápido e garantido, na cardiologia por exemplo a preferência recai em alguns métodos de imagem.

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