Obesidade

O peso corporal acima do desejado já é um problema de saúde pública em alguns países como os Estados Unidos e crescente em boa parte do mundo e, segundo dados do IBGE, também no Brasil. Este é um segmento da população que merece atenção especial, pois vem aumentando em proporções alarmantes.Na análise de um grupo de 2.277 pacientes com diagnóstico de infarto do miocárdio, 64% tinham sobrepeso ou eram obesos. Este índice cresceu na população infartada de 58% entre 1979 e 1983 para 72% entre 1994 e 1998.Porém, no Nurses Heart Study, que acompanhou 85.941 mulheres, entre 34 e 59 anos, entre os anos de 1980 e 1994, sem diagnóstico prévio de doença arterial coronariana ou câncer, o aumento do índice de massa corpórea (IMC) foi relacionado a um incremento de 8% da incidência de doença arterial coronariana. Foi estimado neste estudo que a não-aderência a hábitos mais saudáveis de vida foi responsável por 82% dos eventos coronarianos.Um dos mais completos e interessantes estudos epidemiológicos nesta área foi o EUROASPIRE. O primeiro, realizado entre 1995 e 1996, em 21 hospitais de nove países europeus, teve como objetivo de verificar preditores de mortalidade. Dados foram coletados de 4.863 prontuários de pacientes admitidos por terem sido submetidos algum tipo de revascularização miocárdica, ou terem apresentado isquemia miocárdica ou IAM, há mais de seis meses, e terem até 70 anos de idade.

Destes, 3.569 foram entrevistados, num espaço de 1,6 ano de sua internação. Os números mostraram aspectos algo desanimadores: 75% das mulheres e 80% dos homens tinham sobrepeso e 33% delas e 16% deles estavam obesos e ainda a constatação de um grande número de indivíduos ganhando peso após seu evento cardíaco, mas somente em menos de 20% destes se verificou a existência de um aconselhamento nutricional. Também se observou maior prevalência nestes pacientes de HAS e colesterol aumentado.Comparando-se os achados do primeiro com o segundo estudo, foram encontrados, respectivamente, os seguintes números: tabagismo 19% e 21%, e IMC = 30 kg/m2 25% e 50%.

> O quadro nutricional brasileiro traz preocupação, tanto no campo das dislipidemias quanto no aumento da obesidade, como o constatado em estudo com adolescentes de 15 a 19 anos das regiões Nordeste e Sudeste. Nesses estudos, foram avaliados 1027 jovens provenientes do Nordeste e 854 do Sudeste, sendo havendo predomínio de sobrepeso e obesidade no primeiro grupo. A situação se torna mais contundente quando constamos que há uma elevação em ritmo acelerado dos casos de sobrepeso e obesidade entre adultos brasileiros, quando se analisa os dados de três estudos realizados nas décadas de 70, 80 e 90.

> Este quadro mostra que a alimentação adequada seja na quantidade, mas principalmente na qualidade, deixa muito a desejar no Brasil. Fatos como obesidade e dislipidemia, associados a maus hábitos de vida, levam a maiores gastos para o poder público e, possivelmente, maior incapacitação da mão-de-obra e menor expectativa de vida da população, quando atingida pela aterosclerose coronária. Mais relevante ainda é o fato de que estes fatores de risco já são encontrados mesmo nas crianças.

> Finalmente, ações governamentais são fundamentais, na merenda escolar, nos hospitais, nas cantinas das escolas e dos centros esportivos, mas cabe a médicos e nutricionistas o dever de melhorar as opções de alimentação mais saudável e esclarecer a população com dados nacionais, como agir para se ter conciliada uma alimentação

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